25.4.04
25 de Abril | Dia da Liberdade
Ele não disse isto, pois não?
«Verifiquei que a evolução que a revolução permitiu é tal que se pode dizer que o dia 25 de Abril valeu a pena». Durão Barroso, em uma cerimônia no Instituto dos Arquivos Nacionais da Torre do Tombo.
Nuno Moraes Sarmento e os 3 D’s
Democratizar: v. (1813 cfm52) 1. t.d. e pron. Tornar(-se) popular; colocar(-se) ao alcance do povo, da maioria da população «democratizar a saúde» «a universidade democratizou-se neste governo».
Descolonizar: v. (d. 1955) Tirar o carácter de colônia a... [leia-se caracter]
Desenvolver: pron. Aumentar a sua área de actuação; evoluir «é preciso tratá-lo antes que a moléstia se desenvolva».
Dia 25 de Abril | Oferenda a Oxum
«Ai Ei Eiô, Mamãe Oxum» E fui, fui ao Abaeté, deixar uma flor para Oxum. Por mim e por quem me pediu.
Omiro wanran wanran wanran omi ro!
«A água corre fazendo o ruído dos braceletes de Oxum!»
A Lenda do Abaeté
[Dorival Caymmi]
No Abaeté tem uma lagoa escura
Arrodeada de areia branca
Ô de areia branca, ô de areia branca
De manhã cedo se uma lavadeira
Vai lavar roupa no Abaeté
Vai se benzendo porque diz que ouve
Ouve a zoada do batucajé
Ô do batucajé, ô do batucajé
O pescador deixa que seu filhinho
Tome jangada, faça o que quiser
Mas dá pancada se o filhinho brinca
Perto da Lagoa do Abaeté
Ô do Abaeté, ô do Abaeté
A noite tá que é um dia, diz alguém olhando a lua
E lá fora as criancinhas brincam à luz do luar
O luar prateia tudo, coqueiral, areia e mar
A gente imagina quanto a lagoa linda é
A lua se namorando nas águas do Abaeté
Canto de Oxum
[Vinicius de Moraes]
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
É o mar, é o mar Fé-fé xo-ro-dô!
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
É o mar, é o mar Fé-fé xo-ro-dô!
Xangô andava em guerra
Vencia toda terra
Tinha ao seu lado Iansã pra lhe ajudar
Oxum era a rainha
Na mão direita tinha
O Seu espelho onde vivia a se mirar
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
É o mar, é o mar Fé-fé xo-ro-dô!
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
É o mar, é o mar Fé-fé xo-ro-dô!
Quando Xangô voltou
O povo celebrou
Teve uma festa que ninguém mais esqueceu
Tão linda Oxum entrou
Que veio o Rei Xangô
E a colocou no trono esquerdo ao lado seu
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
É o mar, é o mar Fé-fé xo-ro-dô!
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
É o mar, é o mar Fé-fé xo-ro-dô!
Iansã apaixonada
Cravou a sua espada
No lugar vago que era trono da tradição
Chamou um temporal
E no pavor geral
Correu dali gritando a sua maldição
(Eparrei, Iansã)
Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô Nhe-nhen-nhen Nhen-nhen-nhen-xo-rodô
24.4.04
Póoooorto
FCP, Campeão Nacional 2003/4
Sem caracteres para, também, «parabenizar» o União de Leiria.
Corrente
Instruções:
1. Pegue o livro mais próximo de você;
2. Abra o livro na página 23;
3. Ache a quinta frase;
4. Poste o texto em seu blog junto com estas instruções.
[Peguei o primeiro livro da prateleira mais próxima]
«Operação costuma vir associada a risco ou fracasso: operação trânsito, Operação Rio, Operação Uruguai.»
Zuenir Ventura, Crónicas de um Fim de Século, Objetiva
23.4.04
Por falar na Bienal do Livro
O que se diz por cá, da comitiva portuguesa acarretada pelo IPLB.
«Autora de livros que levam a fama de “Bridget Jones à lusitana”, a portuguesa Margarida Rebelo Pinto (que vendeu 500 mil Não Há Coincidências em Portugal) confirmou presença na Bienal de SP. Ela lança Sei Lá pela Record.»
«O livro [O Reserva] de [Rui] Zink, que é professor da Universidade Livre de Lisboa e doutorando em HQs, foi adaptado para a edição brasileira. A começar pela troca do título lusitano, O Suplente, que para nós parece ter conotação política.»
«Por este caminho, o livro abre um clarão na literatura portuguesa contemporânea ao ignorar ostensivamente certa ficção "de mulheres" que despontam às dúzias em todos os cantos. Para começar, a voz central do romance é masculina. Ao pegar duro com o bisturi, Filipa Melo oferece uma escrita impecável sobre o amor ou a possibilidade do afeto ganha ou perdida que todos têm pela existência afora. Um jeito audacioso de apresentar um primeiro livro (...)» | Jefferson Del Rios, Bravo!, Abril 2004
«Carlos Fino foi o primeiro repórter do mundo a informar sobre o início da Guerra do Iraque. Fino é o responsável pela cobertura de guerra da RTP (a Rede de Televisão Portuguesa) e já cobriu várias guerras deste século. No livro Guerra ao Vivo ele conta suas experiências como correspondente de guerra.»
«Quem está chegando ao Brasil é Daniel Sampaio, escritor e um dos profissionais mais respeitados de Portugal quando o assunto é educação. Irmão do presidente, Jorge Sampaio, Daniel lançará o livro Inventem-se Novos Pais, na Bienal do Livro, em Sampa. Sua obra fala sobre a polêmica relação pais e filhos.»
23 de Abril | Um dia em Grande
Se não, vejamos. No Rio de Janeiro é feriado de São Jorge e em São Paulo «abre» a Icograda Design Week de 2004, que se estende até dia 1 de Maio. «... O simpósio é o maior encontro anual de designers no mundo. Está confirmada a participação dos seguintes profissionais: Alison Joy Page, Bennett Peji, Ellen Shapiro, Fumi Masuda, Garth Walker, Kurnal Rawat, Luis Seabra, Max Bruinsma, Pedro Martinelli e Ronald Shakespear.» Dia 23 de Abril é Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. Deste lado, Dia Mundial do Livro e do Direito Autoral... fico a saber que a origem desta celebração, instituída pela Unesco em 1995 para homenagear os autores e suas obras, deve-se à comemoração do falecimento no dia 23 de Abril de 1616 de três escritores, Miguel de Cervantes y Saavedra, William Shakespeare e «el Inca» Garcilaso de La Vega. Desconhecia. Mais, 23 de Abril é Dia Nacional do Choro (Chorinho) por aqui. «O decreto que criou o Dia Nacional do Choro, proposto pelo senador Artur da Távola, foi aprovado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em Setembro de 2000. A data escolhida não poderia ser mais apropriada: 23 de Abril, aniversário de Pixinguinha. “Eu sentia que o choro vinha mostrando uma resistência enorme. Era importante haver um dia nacional para fixar o gênero pelo país.”»
Um final de semana em grande. Muito se pode fazer... Ler um livro, ouvir um chorinho... aproveitar a insónia e pegar um vôo noturno da Gol para espionar a Icograda. De caminho, a Bienal do Livro. Quanto ao Rio de Janeiro, enquanto houver essas tarifas (a preço de ônibus), se vai, num pulinho, até lá. Vambora?
Gavião Calçudo
[Pixinguinha e Cícero de Almeida, 1929]
Chorei, porque
Fi...quei sem meu a...mor
O gavião mal...vado
Bateu asa, foi com ela,
E me deixou
Quem tiver mulher bonita
Escon...da do ga...vião
Ele tem unha comprida
Deixa os marido na mão
Mas viva quem é solteiro!
Não tem amor nem paixão
Mas vocês que são casado
Cuidado com o gavião!
22.4.04
Dicionário Millôr Fernandes [3]
Insônia
A melhor maneira de evitar a insônia é cair no sono.
Capítulos anteriores...
Final do episódio com Pagodinho fora da TV até Outubro, data em que acaba o contrato com a Shin. Uma conhecida marca de celulares, apelando à mudança para um modelo mais recente, aproveita a deixa e espalha outdoors pela cidade dizendo «Zeca, troca». E Vera Fisher, pasme-se, está sem patrocínio (um milhão de reais) para pôr em cena «A Primeira Noite de Um Homem». Ao que parece, não aparecem «interessados» em ver dona Vera «pelada» em palco. Logo agora, que sua filha também iria fazer parte do elenco. Miguel Falabella, encenador da peça, havia se encantado por Rafaela Fisher. E prometia ir explorar bastante a difícil relação da Sra. Robinson (Vera) com a filha Elaine (Rafaela), que disputam o amor do mesmo homem – o rapazote Benjamim Braddock, que depois de ser seduzido pela quarentona Sra. Robinson se apaixona por Elaine. Um embate entre as duas, completamente bêbadas, deveria ser um dos pontos altos da peça. Rafaela, 25 anos, 1,76m e 70 Kg, satisfeita com a própria imagem – depois de passar por várias dietas, diz que se livrou da «loucura de querer ser muito magra» –, estava preparada também para enfrentar os críticos. Haverá por aí algum mecenas?
E porque falamos a mesma língua [1]
Em Portugal se diz assim
«(...) Pagar a renda do andar é pagar o aluguel do apartamento. O avião não decola, descola, e não aterrissa, aterra; e o sujeito que vem consertar a pia não é bombeiro, é canalizador. (...) Sua geladeira deve ser promovida a frigorífico e seu banheiro a casa de banho. (...) Caminhão é camião, e quando ele bate não bate, embate; seu motorista é camionista. A casa (mobilada e não mobilada) vende-se com “o recheio”. Oferecem-se marçanos e turbantes, e mulheres a dias. Lanterneiro é mais logicamente bate-chapas e cardápio é ementa; esquadra é a delegacia de polícia. (...) Caixa postal é apartado, aparelho de rádio é telefonia, parada é paragem e pedágio é portagem; carona é boléia, autoclismo é caixa de desgarga de latrina, que não é latrina, é retrete. (...) suéter é camisola, e meia de homem é peúga, (...) mamão é papaia, troco é demasia, presunto cozido é fiambre, sorvete é gelado, travão é freio, marcha a trás é marcha à ré, band-aid é penso, e durex é fita-cola, bonde é eléctrico, berlinde é bola de gude (mas é masculino: jogar ao berlinde), cabedal é couro. (...) a sopa não esfria, arrefece; tomada de electricidade é ficha; (...) a guimba ou bagana de cigarro no Brasil é beata em Portugal, e a equipa não deixa a concentração para fazer um excursão, deixa o estágio para uma digressão; papel carbono é químico, não se diz que um sujeito é monarquista, diz-se que o gajo é monárquico.
Quando dizemos que “tinha muita gente lá”, eles dizem que “tinha lá imensa gente”, quando falamos de “uma porção de coisas”, eles falam de “uma data de coisas”. Não se anuncia uma casa “em primeira locação”, mas simplesmente “a estrear”. (...) O final de um jogo de futebol de futebol não é “zero a zero”, é “zero-zero”. A nossa ducha é o duche deles, e o nosso toca-discos lá é gira-discos. (...) e não se dá uma surra ou uma sova, mas uma tareia. Pois, pois.»
Ruben Braga [1913-1990], Pequena Antologia do Braga,
Editora Record, 7.ª Edição, 2004
Seu Cabral na música brasileira...
Marchinha de Lamartine Babo
[Carnaval de 1934]
Quem foi que inventou o Brasil?
Foi seu Cabral!
Foi seu Cabral!
No dia 22 de Abril
Dois meses depois do carnaval
Depois
Ceci amou Peri
Peri beijou Ceci
Ao som...
Ao som do Guarani!
Do Guarani ao guaraná
Surgiu a feijoada
E mais tarde o Paraty
Depois
Ceci virou Iaiá
Peri virou Ioiô
De lá...
Pra cá tudo mudou!
Passou-se o tempo da vovó
Quem manda é a Severa
E o cavalo Mossoró
Fuá na Casa de Cabral
[Mestre Ambrósio]
Naquele Brasil antigo
Perdido no desengano
Seu Cabral chegou nadando
E não preocupou com nada
Deu ordem à rapazeada
Mandou barrer o terreiro:
«Me chame o pai do chiqueiro
que hoje eu quero forró,
Toré, samba, catimbó
Que eu já virei brasileiro»
Foi gente de todo tipo
Na festa de seu Cabral
Português de Portugal
Raceado no Oriente
Negão bebeu aguardente
Caboclo foi na Jurema
Seu Cabral pediu um tema
Danou-se a cantar poesia
Até amanhecer o dia
Numa viola pequena
No fim da festa e da farra
Cabral não sentiu preguiça
Mandou logo rezar missa
Pra ficar aliviado
Chamando o padre, apressado
Mandou começar ligeiro
Botando ordem no terreiro
Com seu maracá na mão
Jurando pelo alcorão
Que era crente verdadeiro
Mas na hora da verdade
Quando passou a cachaça
Seu Cabral sentou na praça
Caiu na reflexão
Disse: «Esta situação
sei que nunca mais resolvo!»
Então falou para o povo:
«Juro que me arrependi
o Brasil que eu descobri
queria cobrir de novo!»
Samba Enredo de 2000
[Imperatriz Leopoldinense (bloco do RJ)]
Eu quero é mais viver feliz,
Sambando com a Imperatriz
Te...rra à vista!
Um grito de conquista do descobridor
A ordem do rei é navegar
E monopolizar riquezas de além mar
Partiram caravelas de Lisboa,
Com o desejo de comercializar
As especiarias da Índia, e o ouro da Á...fri...ca e aí
Mas depois o rumo se modificou
Olhos no horizonte um sinal surgiu
Em 22 de abril, quando ele avistou
Se en can tou se en can tou
Tão linda!
Tão linda, Tão bela, paraíso tropical
Foi seu Cabral quem descobriu o Brasil
Dois meses do carnaval, (que terra!)
Terra abençoada de encantos mil
De Vera Cruz, de Santa Cruz ... Brasil!
Iluminada é a nossa terra,
O branco, o negro e o índio
[no encontro da origem da nação
E hoje a minha escola é toda raça
Convida a massa e canta a nossa história
Desenredo
[Gonzaguinha]
No dia em que o jovem Cabral chegou por aqui, ô ô
Conforme diversos anúncios na televisão
Havia um coro afinado da tribo tupi
Formado na beira do cais cantando em inglês
Caminha saltou do avião assoprando um apito
[em free bemol
Atrás vinha o resto empolgado da tripulação
Usando as tamancas no acerto da marcação
Tomando garrafas inteiras de vinho escocês
Partiram num porre infernal por dentro das matas, ô ô
Ao som de pandeiros chocalhos e acordeão
Tamoios, Tupis, Tupiniquins, acarajés ou Carijós
Chegaram e foram formando aquele imenso cordão,
[meu Deus quibão
E então de repente invadiram a Avenida Central,
[mas que legal
E meu povo, vestido de tanga adentrou ao coral
Um velho cacique dos pampas sacou do piston
E deu como aberto, em decreto mais um carnaval
E assim, a Vinte e Dois daquele mês de Abril
Fundaram a Escola de Samba Unidos do Pau-Brasil
21.4.04
Operação «Apito Dourado»
Polícia no Morro
Polícia tá no morro
Atrás do cabrito do doutô
Que o Bento matou e fez tambô
O comissário mandou dizer
Que a escola só sai
Se o cabrito aparecer
Fez ver a diretoria
Que toma a bateria
Encana o pessoal
Termina com a sujeira
Toma o apito e a bandeira
Acaba com o carnaval
[Geraldo Pereira; 1951]
Feriado
Sol, praia... arrumadinho (carne ao sol, calabresa, feijão fradinho e saladinha), aipim frito e uma caipirinha. Uma volta pela blogosfera...
«O primeiro sonho de um Brasil livre da colonização portuguesa é lembrado no dia 21 de Abril, dia em que foi enforcado Tiradentes, em 1792.» «Mesmo após a independência do Brasil, em 1822, Tiradentes não seria reconhecido como mártir da Inconfidência Mineira», primeiro movimento para conquistar a independência. Somente em 1867 é que se ergueu em Ouro Preto um monumento em sua memória, no local onde fora exposta a sua cabeça, aquando da sentença de morte por enforcamento «e esquartejamento. Os seus quartos foram exibidos como exemplo na estrada real que ligava o Rio de Janeiro a Vila Rica». «Mais tarde, no período republicano, o dia 21 de Abril se tornou feriado nacional, e, pela lei 4.867, de 9 de dezembro de 1965.» Tiradentes [Joaquim José da Silva Xavier] é o “patrono cívico da nação”. O único brasileiro cuja data de morte se comemora com um feriado nacional.
Amanhã comemora-se os 504 anos do Descobrimento do Brasil.
19.4.04
[Para o Aviz e Diário de Lisboa]
Frutos do Ceará
Jaca, condessa e oiti,
Ingá, pitomba e caju,
Lima, cabaça e imbu,
Palmeira, coité, piqui,
Pinha braba e murici,
Quixabeira e guabiraba,
Fruita de abóbra e mangaba,
Graviola e jatobá,
Uva, peroba, araçá,
Ubaia, ameixa, quixaba.
Mucunã e cajarana,
Urucu, jaramataia
E melancia da praia,
Mangaba, pinha e banana,
Fava e cana caiana,
Cabacinha e croatá,
Canapum, maracujá,
Chique-chique e feijão brabo,
Mandarucu e quiabo,
Veludo, murta e juá.
Inhame, colé, cara,
Vinagreira, araticum,
Coco, catolé, girmum.
Maxixe, manga e croá,
Tomate, manipuçá,
Maripungo e algodão,
Carrapateira e pinhão,
Jerubeba, maniçoba,
Tambori, romã, caroba,
Erva-moura, gordião.»
Laranja, manguibe, limão,
Liro, jatobai,
Morangaba e buriti,
Coco da praia e melão,
Cana crioula e mamão,
Melancia e ananá,
Fruita de jacu, cajá,
Sabonete e macaúba,
Ingaí e carnaua,
Mari, coco, trapiá.
Autoria do cantador Jacob Passarinho, na sua poesia
«Frutos do Ceará», recolhida no livro «Cantadores»,
de Leonardo Mota (págs. 54 e 55).
Outras coisas de comer...
«O português de Portugal não sabe que caça é o tatu; não sabe que belo roedor é a paca, que espécie de galinhas são macuco e jacu, que mocotó, no norte, é mão de vaca, e lagarto um músculo do braço ou da perna do boi ou da vitela; que peixes sejam o bagre, a traíra, o lambari, o bijupirá, a grumixama, o cascudo e o badejete ou robalete (de badejo e robalo?) e que siri é caranguejo e sururu; que codornas e inhambu são aves; que xuxu, palmito (igual a fundo de alcachofras ou melhor), mamão, quiabos, cará de árvore, giló, perumbeba, aipim ("mandioca que se come assada", a melhor espécie é a macaxera), guandos, taiobe, quibebe e gerimum, mangaló, caratinga, mangarito, inhame e finalmente a grande e decantada mandioca são os nomes de vegetais, legumes, raízes que fornecem à culinária deliciosas preparações.»
O texto é de Albino Forjaz de Sampaio, escritor e jornalista português. Vem publicado em «Volúpia.
A Nona Arte, Gastronomia», de 1940
Dia do Índio
«No dia 19 de abril, todos os países do continente americano comemoram o Dia do Índio. A data foi criada no I Congresso Indigenista Interamericano no México, em 1940. O evento foi considerado histórico porque reuniu representantes de vários países americanos e índios de diversas comunidades. No Congresso também foi criado o Instituto Indigenista Interamericano – órgão internacional que tem a missão de garantir os direitos indígenas na América.»
Deveria ter colocado a letra de «Todo o Dia
era Dia de Índio»... Mas gostei desta marchinha...
Índio quer apito
[Haroldo Lobo e Milton de Oliveira, 1960]
Ê ê ê ê ê índio quer apito
Se não der pau vai comer
Lá no bananal mulher de branco
Levou pra pra índio colar esquisito
Índio viu presente mais bonito
Eu não quer colar
Índio quer apito
Adriana calcanhotto
Reparei agora que num dos primeiros posts, dei Bêlo Velloso como autora da letra de «Toda Sexta-feira». Erradamente, claro. A letra (e música?) é de Adriana Calcanhotto. Bellô Velloso cantou, tal como «Canção Sem Seu Nome» e «Pegue ou Largue» nome de um dos seus 5 álbuns. Filha de Mabel Velloso e sobrinha de Caetano Veloso e Maria Bethânia, nasceu, também, Santo Amaro da Purificação, na Bahia. Quanto ao erro já emendei o post. Quanto a Adriana Calcanhotto (umas das minhas «artistas» preferidas) resta aguardar. Tal como ela prória diz «estarei fora do ar por um tempo porque estou finalizando um projeto muito importante (sobre o qual não farei comentários nem sob a mais cruel tortura)». Bello site.
Não gosto da palavra artista
Mas gosto muito de Adriana Calcanhotto... pela melodia, pelos sons, pelas palavras, pelas cores, pelo teatro... [Nos dicionários: Artista (A) s.2gén. 1. Criador de obras de arte plástica; 2. Pessoa que aprendeu uma arte; artífice; operário; 3. Pessoa que interpreta uma obra no palco ou no cinema; intérprete; actor; 4. [fig] Pessoa exímia e determinada actividade. (b) adj.2gén. 1. Que tem gosto pelas belas-artes; 2. Perfeito na sua profissão; 3. [fig] engenhoso; 4. [fig] manhoso (de arte+ista). Do dicionário de sinônimos podem escolher-se: perfomático, sonhador, academia, caravana, companhia, elenco, escola.
16.4.04
Pronto...
... não se fala mais de Caetano. Há «palavras» de que gosto... «ecos»... Um dia. «Eu não estou indo-me embora/ Estou só preparando a hora de voltar».
15.4.04
Dicionário Millôr Fernandes [2]
Americanismo
Tão americanizado que em vez de dizer outrossim, dizia outroyes.
Saravá
«Letra só [dois em um] é uma seleção de letras de Caetano Veloso, organizada pelo poeta e professor de literatura brasileira Eucanaã Ferraz. O volume reúne versos dos quais se suprimiu a música, a fim de dar destaque à inventividade e à riqueza da escrita do compositor. Sobre as Letras traz fotos do compositor e comentários do próprio Caetano a respeito da gênese de sua escrita.» E Letra Só, acidentalmente, ficou por cá e não seguiu viagem (snif... lá tiveram que voar minhas visitas) com «A Foreign Sound». Dos dois presentes para Golpes de Vista acabei ficando com um. Apenas temporariamente, prometo, pois o livro(s) lhe pertence, fica aguardando «enviados» ou uma visita...
Americanos
Americanos pobres na noite da Louisiana
Turistas ingleses assaltados em Copacabana
Os pivetes ainda pensam que eles eram americanos
Turistas espanhóis presos no Aterro do Flamengo
Por engano
Americanos ricos já não passeiam por Havana
Viados americanos trazem o vírus da aids
Para o Rio no Carnaval
Viados organizados de São Francisco conseguem
Controlar a propagação do mal
Só um genocida em potencial
— De batina, de gravata ou de avental —
Pode fingir que não vê que os viados
— Tendo sido o grupo vítima preferencial —
Estão na situação de liderar o movimento para deter
A disseminação do HIV
Americanos são muito estatísticos
Têm gestos nítidos e sorrisos límpidos
Olhos de brilho penetrante que vão fundo
No que olham, mas não no próprio fundo
Os americanos representam grande parte
Da alegria existente neste mundo
Para os americanos branco é branco, preto é preto
[(e mulata não é a tal)]
Bicha é bicha, macho é macho
Mulher é mulher e dinheiro é dinheiro
E assim ganham-se, braganham-se, perdem-se
Concedem-se. conquistam-se direitos
Enquanto aqui embaixo a indefinição é o regime
E dançamos com uma graça cujo segredo
[nem eu mesmo sei]
Entre a delícia e a desgraça
Entre o monstruoso e o sublime
Americanos não são americanos
São velhos homens humanos
Chegando, passando, atravessando
São tipicamente americanos
Americanos sentem que algo se perdeu
Algo se quebrou, está se quebrando
[Nunca chegou a ser uma canção. Não é um rap. (...) Trata-se apenas de uma série de anotações que tomei para talvez fazer uma música. Nunca a decorei sequer: eu lia as palavras numa folha de papel no show Circulando. Mas acho que, relendo hoje, ela apresenta muita esperteza nas observações da história sendo vivida.]
Letra Só / Sobre as Letras (2 volumes),
Companhia das Letras
Até já...
já não é hoje?
não é aquioje?
já foi ontem?
será amanhã?
já quandonde foi?
quandonde será?
eu queria um jàzinho que fosse
aquijá
tuoje aquijá.
Alexandre O’Neill, Poesias Completas, Assírio & Alvim
9.4.04
Caetano e os mouros...
«Em novembro de 2001, durante entrevista coletiva para divulgar o lançamento do CD Noites do Norte ao vivo, Caetano afirmara que não apoiava de maneira alguma as atividades de Osama bin Laden. Mas, perguntado sobre charges que circulavam
na época na internet em que ele aparecia caracterizado como o líder da al Qaeda, o compositor baiano respondeu:
— Mas ele é um homem bonito e se parece com algumas pessoas da minha família.
Na mesma entrevista, ele explicou mais:
— Temos uma cara semítica. Quando estive em Israel, vi muita gente do Iêmen parecida com a minha família, o pessoal me confundia com judeu iemenita. Vai ver sou. Perguntavam também se eu sou árabe. Meu pai era mulato. Minha mãe parece indiana. Tem muito
a nossa cara no sul de Portugal, na Sicília. Você sabe,
os mouros...» [Retirado de O Globo]
Notícias de feriado
Kennedy wasn’t good in bed
Apesar da sua fama de sedutor, J.F. Kennedy
era um flop in bed. Segundo Jackie, que se sentia «sexualmente infeliz e chegou a pensar em ter amantes», o seu marido tinha o defeito de «ser muito rápido e dormir». Isto a propósito de um novo livro sobre a família Kennedy, Grace and Power: The Private World of the Kennedy White House, cujos trechos acabam de ser publicados na edição de Maio da revista Vanity Fair, de que Sally Bedell Smith, autora do livro,
é colaboradora.
Caetano Veloso have exquisite taste
Ao fim de dez dias de contactos insistentes com autoridades americanas o visto especial de Caetano Veloso, com shows agendados no Carnegie Hall para o lançamento de A Foreign Sound, foi finalmente liberado. «Em um primeiro momento, Caetano teve o pedido negado por causa de um elogio ao terrorista Osama bin Laden após os atentados de 11 de Setembro.
O cantor disse que Bin Laden era "bonito".»
And the last but not the least
«O canal digital de televisão BBC-3 vai apresentar o que diz ser a primeira corrida de espermatozóides televisionada ainda este mês [dia 15]. A corrida será exibida como parte da série educativa Lab Rats, e vai colocar [em competição?] espermatozóides dos apresentadores Mike Leahy (cientista) e Zeron Gibson (humorista). A imagem mostrada será do interior de dois minúsculos tubos de vidro com um microscópio e transmitida para uma multidão em um telão colocado em um bar.»
E fico-me por aqui. Estrada do Coco está recebendo visitas, long-awaited visits, e não tem tido tempo
para blogar... Mas estes dez minutos de navegação pela página de notícias do dia do IG (leia-se igui)
me deram vontade de partilhar. Notícias em fim-de-semana de páscoa...