22.5.04
Lula e a cachacinha
Como não se fala de outra coisa e como já foi quase tudo dito, deixo-vos aqui algumas das charges do blog Kibe Loco. As mais engraçadas que têm surgido por aqui sobre Lula, a cachaça e o New York Times. Vale a pena espreitar. Já adicionei o endereço à lista.
Dicionário Millôr Fernandes [5]
Lula
Um líder aspirando cada vez mais pompa e tropeçando cada vez mais nas circunstâncias. [1989]
13 dias sem computador
Isso mesmo, treze dias. Treze compridos dias. Sem internet, sem mail, sem blog, sem mensagens, sem comunicação... sem trabalhar. A placa digital foi-se. Corroída pelo salitre. Sempre o salitre. Culpado por tudo o que avaria por aqui. Desvantagem para quem vive perto do mar... dizem. «Não se pode ter tudo.» O que vale é que o blogger mudou. Agora pode-se escolher hora e data para um post. Acho que vou aproveitar... Só hoje, pelos treze dias... Está tudo atrasado. Faltaram os parabéns ao Almocreve das Petas, Quinto dos Impérios, a Bono Vox, Rubem Fonseca, Salvador Dali... Acho que vou «batotear».
Dicionário Millôr Fernandes [4]
Computador
O computador chegou ao estágio em que resolve todos os problemas. Exceto, claro, os dele.
9.5.04
Que vão fazer do FCP?
«Oiço dizer» que José Mourinho sai do FC Porto para o Chelsea, e que Deco, Ricardo Carvalho, Costinha ou Maniche e Paulo Ferreira, podem sair — dividindo-se entre o próprio Chelsea e o Real Madrid (a propósito: já estão convencidos quanto à competência do Prof. Pardal, o «génio incompreendido» do futebol lusitano, incapaz de ser campeão até nos campeonatos estaduais, perdão, de província?). O ninja fica, sempre é uma segurança. Mas, mesmo deste lado do mar, é uma parte do mundo que desaba.
8.5.04
A «parabenizar» hoje
Valquíria, 30; Taffarel, 38; Coca-cola, 118.
Dia de S. Tafarel
Para quem viu a selecção canarinha jogar durante a era Tafarel, sabe o que quero dizer: não havia nenhum santo que lhe valesse – só mesmo um com o nome dele. Deste lado, os goleiros (guarda-redes) não gozam de boa fama e Tafarel era acusado de ser «mão furada». Não era assim tão verdade, mas quem assistiu aos jogos transmitidos pela Globo não deixou de fixar a frase que o «entronizou», da autoria de Galvão Bueno em seus «contundidos» relatos. Mal a bola cruzava para a linha de meio campo do escrete e a zaga (defesa) ainda andava ali a saltitar, Galvão (suando, imagino) tremia de medo e gritava: «Agaaaaaarrrraaaaa Tafarel que é suuuuuuaaaaaaaa!» Às vezes, de facto, era.
7.5.04
A «parabenizar» hoje
Mar Salgado.
6.5.04
A «parabenizar» hoje
O Abrupto, como leio no Aviz; Freud e Orson Welles como já havia sido mencionado aqui.
Oferta à blogosfera
Estrada do Coco tem «correio» para Lisboa. Sexta-feira, dia 7. Aceitam-se encomendas...
Cd’s que não chegam ou ainda não chegaram
a Portugal; Livros, sempre livros, de autores
ou traduções do Brasil [recomendo o «Brás Cubas»
do post anterior]; Ou, quem sabe, a edição de Maio
da Playboy? Para aproveitar. É só deixar o «pedido»
e endereço na caixa postal. Corresponderei.
5.5.04
Obrigada, obrigada
Comecei ontem, finalmente, a ler as Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Livro que me ofereceram faz tempo e que «insistia» em adiar a leitura. Só agora sei o que perdia. Estou a devorá-lo. Como se diz por aqui, «a amar». Obrigada.
Capítulo II | O EMPLASTO
Com efeito, um dia de manhã, estando a passear na chácara, pendurou-se-me uma idéia no trapézio que eu tinha no cérebro. Uma vez pendurada, estou a bracejar, a pernear, a fazer as mais arrojadas cabriolas de volatim, que é possível crer, Eu deixei-me estar a contemplá-la. Súbito, deu um grande salto, estendeu os braços e as pernas, até tomar a forma de um X: decifra-me ou devoro-te.
Essa idéia era nada menos que a invenção de um medicamento sublime, um emplastro hopocondríaco, destinado a aliviar a nossa melancólica humanidade. Na petição de privilégio que então redigi, chamei a atenção do governo para esse resultado, verdadeiramente cristão. Todavia, não neguei aos amigos as vantagens: pecuniárias que deviam resultar da distribuição de um produto de tamanhos e tão profundos efeitos. Agora, porém, que estou cá do outro lado da vida, posso confessar tudo: o que me influiu principalmente foi o gosto de ver impressas nos jornais, mostradores, folhetos, esquinas e enfim nas caixinhas do remédio, estas três palavras: Emplasto Brás Cubas. Para que negá-lo? Eu tinha a paixão do arruído, do cartaz, do foguete de lágrimas. Talvez os modestos me argúam esse defeito; fio, porém, que esse talento me hão de reconhecer os hábeis. Assim, a minha idéia trazia duas faces, como as medalhas, uma virada para o público, outra para mim. De um lado, filantropia e lucro; de outro lado, sede de nomeada. Digamos: amor da glória.
Um tio meu, cônego de prebenda inteira, costumava dizer que o amor da glória temporal era a perdição das almas, que só devem cobiçar a glória eterna. Ao que retorquia outro tio, oficial de um dos antigos terços de infantaria, que o amor da glória era a coisa mais verdadeiramente humana que há no homem, e, conseguintemente, a sua mais genuína feição.
Decida o leitor entre o militar e o cônego; eu volto ao emplasto.
Capítulo IV | A IDÉIA FIXA
A minha idéia, depois de tantas cabriolas, constituía-se idéia fixa. Deus te livre, leitor, de uma idéia fixa; antes um argueiro, antes uma trave no olho. Vê o Cavour; foi a idéia fixa da unidade italiana que o matou. Verdade é que Bismarck não morreu; mas cumpre advertir que a natureza é uma grande caprichosa e a história uma eterna loureira. Por exemplo, Suetônio deu-nos um Cláudio, que era um simplório — ou «uma abóbora» como lhe chamou Sêneca, e um Tito, que mereceu ser as delícias de Roma. Veio modernamente um professor e achou meio de demonstrar que dos dois césares, o delicioso, o verdadeiro delicioso, foi o «abóbora» de Sêneca. E tu, madama Lucrécia, flor dos Bórgias, se um poeta te pintou como a Messalina católica, apareceu um Gregorovius incrédulo que te apagou muito essa qualidade, e, se não vieste a lírio, também não ficaste pântano. Eu deixo-me estar entre o poeta e o sábio. Viva pois a história, a volúvel história que dá para tudo; e, tornando à idéia fixa, direi que é ela a que faz os varões fortes e os doidos; a idéia móbil, vaga ou furta-cor é a que faz os Cláudios — fórmula Suetônio.
Era fixa a minha idéia, fixa como... Não me ocorre nada que seja assaz fixo nesse mundo: talvez a Lua, talvez as pirâmides do Egito, talvez a finada dieta germânica. Veja o leitor a comparação que melhor lhe quadrar, veja-a e não esteja daí a torcer-me o nariz, só porque ainda não chegamos à parte narrativa destas memórias. Lá iremos. Creio que prefere a anedota à reflexão, como os outros leitores, seus confrades, e acho que faz muito bem. Pois lá iremos. Todavia, importa dizer que este livro é escrito com pachorra, com a pachorra de um homem já desafrontado da brevidade do século, obra supinamente filosófica, de uma filosofia desigual, agora austera, logo brincalhona, coisa que não edifica nem destrói, não inflama nem regela, e é todavia mais do que passatempo e menos do que apostolado.
Vamos lá; retifique o seu nariz, e tornemos ao emplasto. Deixemos a história com os seus caprichos de dama elegante. Nenhum de nós pelejou a batalha de Salamina, nenhum escreveu a confissão de Augsburgo; pela minha parte; se alguma vez me lembro de Cromwell, é só pela idéia de que Sua Alteza, com a mesma mão que trancara o parlamento, teria imposto aos ingleses o emplasto Brás Cubas. Não se riam dessa vitória comum da farmácia e do puritanismo. Quem não sabe que ao pé de cada bandeira grande, pública, ostensiva, há muitas vezes várias outras bandeiras modestamente particulares, que se hasteiam e flutuam à sombra daquela, e não poucas vezes lhe sobrevivem? Mal comparando, é como a arraia-miúda, que se acolhia à sombra do castelo feudal; caiu este e a arraia ficou. Verdade é que se fez graúda e castelã... Não, a comparação não presta.
[Machado de Assis,
Memórias Póstumas de Brás Cubas, L&PM Pocket]
4.5.04
Gol Porto, go
FCP na final da Liga dos Campeões.
Hora de cumprir promessas.
O Adufe já mudou.
Ainda Juliana Paes
Para quem não consegue esperar por quinta-feira e se queixou por falta de uma foto ilustrando a «boa notícia», fica aqui o endereço para espreitar... Tem também fotos de Uma Thurman, capa da revista GQ de Maio. Uma das fofoca diz que Quentin Tarantino se mostra interessado em dirigir o próximo «007», verdade?
Portuguesa? «Muita giro!»
Não é raro, sobretudo em locais turísticos ou lojas, perguntarem-me de onde sou (depois do irritante «Argentina?» ou do simpático «Minas?») e ouvir: «Portugal, portuguesa?» «Muita giro!» Sempre antes de Benfica, Figo, Porto [sim, sim também se ouve muito], Lisboa ou Fátima, Nossa Senhora de Fátima. Poucas vezes fado. No Pelourinho, um dos (in)evitáveis «doadores» de fitinhas «muita giro» do Bonfim foi mais longe e tentou adivinhar-me o nome. «Maria?», «Maria João?» Nome «giro» por não ser feminino e que ficou desde a telenovela Clone com a «importação» da actriz Maria João Bastos. Rubem Braga, no texto em baixo, não entendeu bem o seu significado, mas não deixou de o mencionar. Como carioca não esqueceu de acrescentar o «pois, pois» muito usado na «caricatura» do «Manel». Pois, pois, «giro», «muita giro» só usa o «português».
E porque falamos a mesma língua [2]
«(...) Há diferenças conhecidas de todos, como “comboio” que é o nosso “trem”, “carruagem” que é o nosso “vagão” e “caminho de ferro”, que é a nossa “estrada de ferro”, mas a nossa “baldeação” lá é “transbordo”, coisa menos sabida.
Se você entrar em um teatro com seu “chapéu de chuva” (forma muito mais usada que o “guarda-chuva”) é obrigado a deixá-lo no “bengaleiro”, que é o nosso “chapeleiro”. Isto ao Irineu [Garcia] parece elegante, e fica a imaginar se o seu querido Fernando Pessoa usava bengala; acha que sim.
Acredita meu missivista que é uma falta de respeito chamar “gerânios” de “sardinheiras”; e completamente misteriosa a palavra “diospiro”, que designa a fruta que nós conhecemos por “caqui”. (...)
“Ventoinha” é o nosso “ventilador”, e “papeleira” é aquela “escrivaninha” de tampa inclinada e gavetas para guardar papeis. “Utente” é o mesmo que o nosso “usuário”, “herdade” é “fazenda”, e “carrinha” é “caminhonete”. A gente não pede comumente o “endereço” de uma pessoa e sim a sua “morada”, isto é, “endereço” de sua “residência”; esta última palavra é mais usada no sentido coletivo.
Candeeiro no Brasil a gente entende que é a querosene, óleo ou gás: lá é também o eléctrico, a nossa armação de abajur. O “caseiro” é mais conhecido com “quinteiro”, e “sertã” é o nome mais comum da nossa “frigideira”; “alguidar” é usado comumente no sentido de bacia de lavar roupa...
A nossa “turma” ou, em ipanemês, “patota”, lá é “malta” e às vezes se mete em algum “sarilho”, que é a palavra mais usada para “briga”, confusão.
Irineu me manda “refilar” no sentido de “estrilar”, “reagir”, e “fato macaco” no lugar do nosso feio “macacão”. No Brasil é muito raro o uso de “fato” com “roupa” e corrente no sentido de coisa feita, acontecimento — que lá é de “facto”, com “C”, que se escreve e pronuncia.
O vendedor de bilhetes de loteria, nosso “bilheteiro”, em Lisboa é “cauteleiro”, e não é raro ouvir “apitadela” no lugar de “telefonema”. Um tipo “gira” não é adoidado como no Brasil, é um bom tipo, é bonito. O amigo “legal”, “cem por cento” lá é “fixe”. No lugar de “vagem” usa-se mais “feijão-verde”, e, no lugar de “açougue”, “talho”.»
Ruben Braga [1913-1990], Pequena Antologia do Braga,
Editora Record, 7.ª Edição, 2004
A «parabenizar» hoje
Lulu Santos (Luís Maurício Pragana dos Santos)
Certas Coisas
[Lulu Santos]
Não existiria som se não houvesse o silêncio,
Não haveria luz se não fosse a escuridão,
A vida é mesmo assim
Dia e noite, não e sim.
Cada voz que canta o amor
Não diz tudo que quer dizer,
Tudo que cala
Fala mais alto ao coração.
Silenciosamente
Eu te falo com paixão.
Eu te amo calado,
Como quem ouve uma sinfonia
De silêncio e de luz.
Nós somos medo e desejo,
Somos feitos de silêncio e som.
Tem certas coisas que eu não sei dizer...
3.5.04
Prob(r)emas com R na língua portuguesa [1]
Broco, pranta, bicicreta, argodão, parpite, compricação. Palavras com que me familiarizei. Chamam-lhe «linguagem Chico Bento». E é habitual brincar-se. Diz-se, por exemplo, «que os pintinhos do interior fazem "pir pir" e os cachorros "ar ar"». Mas, leio na revista para anunciantes da vizinha Villas do Atlântico, que a substituição do L pelo R não se trata de um «distúrbio linguístico», de um «erro», mas de um fenômeno. De nome rotacismo. Mais, «Os Lusíadas, escrito por Camões no séc. XVI, é farto de formas — frauta, frecha, ingrês, pranta etc.» Um assunto sem dúvida a estudar e a voltar a este brog.
2.5.04
Dia da mãe | Dia das mães
E com isto, quase me esquecia que hoje se festeja o «Dia da Mãe». Por aí, porque aqui o «Dia das Mães» se comemora no próximo domingo, dia 9. Um grande beijo para «a minha». Hoje, amanhã, no próximo domingo. Todos os dias.
Boa notícia
A famosa Jaqueline de «Celebridades», já considerada musa, aceitou ao fim de várias recusas pousar para a Playboy. «A produção da revista afirmou que ela estava à vontade durante as sessões. No início do ensaio, a atriz pediu um pouco de champagne para relaxar e comida japonesa. Simpática, contagiou toda a equipe com seu alto-astral. Durante as fotos, preocupada com o resultado, a atriz divertia a produção ao repetir o jargão que criou: — Acredita na foto, Juliana!» Podem acreditar, Juliana Paes na Playboy de Maio. Dia 6 nas bancas.
Má notícia
Para mim e para quem já por aqui passou e se deleitou. A Parmalat do Shopping Iguatemi fechou. Encerrou. Acabou. E com ela, o delicioso Petit Gâteux. Nem quero acreditar. Um bolinho de chocolate de massa molhadinha e crocante do tamanho de um quindim, recheado com um espesso molho de chocolate preto, acompanhado por uma bola de sorvete de sabor à escolha, regado com chocolate quente e polvilhado com açúcar branco. Dá para imaginar? Uma delícia. Um manjar dos deuses. Cura depressões, tristezas, faltas de apetite, dores de cabeça, crises existenciais. Que fazer agora da minha vida. As idas a Salvador ficaram com menos sabor.
Aniversários...
Deixo já uma lista provisória para o caso
de não ter tempo de vir aqui.
Dia 4, Lulu Santos; 8, Taffarel, João Havelange;
11, Rubem Fonseca; 12, Jamelão; 21, Roberto Frejat; 26, Sivuca; 27, Ivete Sangalo; 28, Moi; 31, Marília Gabriela.
... e efemérides de Maio
Dia 2, rendição dos nazis em Berlim; A 3 de Maio de 1494 Colombo descobre a Jamaica; A 4 de Maio de 1493, o Papa Alexandre VI, pela bula «InterCoetera», divide o mundo entre Espanha e Portugal. Portugal ficou com o Brasil; Nasce Marx a 5 de Maio de 1818 e Sigmund Freud a 6 de Maio de 1856, dia em que também nasceu Orson Welles em 1915, dia em que foi abolida a Inquisição em Portugal em 1821; A 8 de Maio de 1886, foi pela primeira vez servida, na farmácia Jacob’s, em Atlanta, EUA, o xarope concebido por John S. Pemberton, mais tarde conhecido como Coca-Cola; no dia em que acaba a II Guerra Mundial em 1945; No dia 10 de Maio de 1960 (gosto muito) nasce Paul David Hewson, aliás Bono Vox; Salvador Dali nasce dia 11 de Maio de 1904; A 13 de Maio de 1888, é abolida a escravatura no Brasil, nasce em 1950 no Michigan, Stephien Morris Uudkins, mais conhecido por Stevie Wonder, e a quem interessar, D. Duarte e D. Isabel de Herédia casam em 1995 neste dia; 15 de Maio de 1927, primeira Volta a Portugal em Bicicleta; 16 de Maio de 1804, Napoleão Bonaparte é proclamado imperador; Vasco da Gama chegou à Índia a 20 de Maio de 1498 (a Calecute, na Costa do Malabar); A 23 de Maio de 1179, o papa Alexandre III reconheceu, pela bula «Manifestis Probatus», D. Afonso Henriques como rei de Portugal — ó momento infausto! E em 1536, o estabelecimento do Santo Ofício em Portugal foi decretado pela bula «Cum ad Nihil Magis», do papa Paulo III, a pedido do Rei D. João III ; 24 de Maio de 1941, nasceu Bob Dylan (de nome verdadeiro Robert Allen Zimmerman); 25 de Maio de 1810, independência da Argentina; A 28 de Maio de 1952 é inaugurado o Estádio das Antas, em 1884 o Jardim Zoológico de Lisboa e em 1903 a iluminação eléctrica nas ruas de Lisboa, O golpe militar começou em Braga em 1926; Dia 30 de Maio de 1431, é queimada Joana d'Arc.
30 de Abril | Dorival Caymmi
«Quem não gosta de samba bom sujeito não é
É ruim da cabeça ou doente do pé»
Parabéns (atrasados) a Dorival Caymmi
que completou 90 anos neste dia.
Acontece que eu sou baiano
Acontece que eu sou baiano,
acontece que ela não é
Acontece que eu sou baiano,
acontece que ela não é
Mas tem um requebrado pro lado
minha Nossa Senhora, meu senhor São José
Essa que tem um requebrado pro lado
minha Nossa Senhora, ninguém sabe o que é
Há tanta mulher no mundo,
só não casa quem não quer
por que é que eu vim de longe,
pra gostar desta mulher
Essa que tem um requebrado pro lado
minha Nossa Senhora, meu senhor São José
Essa que tem um requebrado pro lado
minha Nossa Senhora, ninguém sabe o que é
Acontece que eu sou baiano,
acontece que ela não é
Acontece que eu sou baiano,
acontece que ela não é
Já plantei na minha porta, um pezinho de guiné
Já chamei um pai-de-santo, pra benzer essa mulher
Essa que tem um requebrado pro lado
minha Nossa Senhora, meu senhor São José
Essa que tem um requebrado pro lado
minha Nossa Senhora, ninguém sabe o que é
[Música que Jorge Amado pediu da Dorival Caymmi para compor/cantar
para conquistar Zélia Gattai]
É Doce Morrer no Mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
A noite que ele não veio foi
Foi de uma tristeza para mim
Saveiro voltou sozinho
Triste noite foi para mim
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
Saveiro partiu de noite foi
Madrugada não voltou
O marinheiro bonito
Sereia do mar levou
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
Nas ondas verdes do mar meu bem
Ele se foi afogar
Fez sua cama de novo
No colo de Iemanjá
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
[Composta sobre um tema de «Mar Morto»,
romance de Jorge Amado sobre os mestres de saveiros]
Coqueiro de Itapoã
Coqueiro de Itapoã, coqueiro
Areia de Itapoã, areia
Morena de Itapoã, morena
Saudade de Itapoã me deixa
Oh vento que faz cantiga nas folhas
No alto dos coqueirais
Oh vento que ondula as águas
Eu nunca tive saudade igual
Me traga boas notícias daquela terra toda manhã
E joga uma flor no colo de uma morena de Itapoã
Coqueiro de Itapoã, coqueiro
Areia de Itapoã, areia
Morena de Itapoã, morena
Saudade de Itapoã me deixa
Você Já Foi à Bahia?
Você já foi à Bahia, nêga?
Não? Então vá!
Quem vai ao Bonfim, minha nêga
Nunca mais quer voltar
Muita sorte teve
Muita sorte tem
Muita sorte terá
Você já foi à Bahia, nêga?
Não? Então vá!
Lá tem vatapá! Então vá!
Lá tem caruru! Então vá!
Lá tem mungunzá! Então vá!
Se quiser sambar! Então vá!
Nas sacadas dos sobrados
Da velha São Salvador
Há lembranças de donzelas
Do tempo do imperador
Tudo isso na Bahia
Faz a gente querer bem
A Bahia tem um jeito
Que nenhuma terra tem
Samba da Minha Terra
Samba da minha terra deixa a gente mole
quando se canta todo mundo bole,
quando se canta todo mundo bole
Quem não gosta de samba bom sujeito não é
É ruim da cabeça ou doente do pé
Eu nasci com o samba no samba me criei
e do danado do samba nunca me separei
Festa de Rua
Cem barquinhos brancos
Nas ondas do mar
Uma galeota a Jesus levar
Meu Senhor dos Navegantes
Venha me valer
A Conceição da Praia está embandeirada
De tudo quanto é canto muita gente vem
De toda parte vem um baticum de samba
Batuque, capoeira e também candomblé
A Vizinha do Lado
A vizinha quando passa
Com seu vestido grená
Todo mundo diz que é boa
Mas como a vizinha não há
Ela mexe co'as cadeiras pra cá.
Ela mexe co'as cadeiras pra lá.
Ele mexe com o juízo
Do homem que vai trabalhar
Há um bocado de gente
Na mesma situação
Todo mundo gosta dela
Na mesma doce ilusão
A vizinha quando passa
Que não liga pra ninguém
Todo mundo fica louco
E o seu vizinho também
[pode ouvir na telenovela «Celebridades»]
Para Caymmi de Nana, Dori e Danilo — 90 anos
Homenagem dos filhos de Dorival Caymmi, para comemorar este dia.
«A mandona Nana, o brincalhão Dori, o tímido Danilo. Três irmãos, três jeitos de ser, três jeitos de cantar. Três vozes que herdaram a musicalidade e o tom grave do pai. Três vozes que se reuniram para fazer um CD que fosse um presente de aniversário e que servisse para “poupar o papai das comemorações”... “Papai tá velhinho e tem sempre uma pessoa que abraça e o derruba no chão”». Parabéns também a Nana que completou 63 anos no dia 29 de Abril. Um dia antes do aniversário de seu pai.