ESTRADA DO COCO

16.6.04

Para «parabenizar» o Aviz
De um computador «emprestado» e numa hora imprópria, apenas para felicitar o Aviz por uma ano de blog... agora muito bahiano.

sb 02:05 #

4.6.04



Sou da Paes
[Camiseta para Sem Caracteres, Não Esperem Nada de Mim, e Janela para o Rio]

Kibe Loco continua no seu melhor. Lula na China, Juliana Paes e, como não poderia faltar, Ronaldinho na vitória frente à Argentina: «Viva o gordo!». O Ma-Schamba e o Comprometido Espectador também ficaram fãs deste kibe e por arrasto adicionaram o Estrada do Coco aos seus links. Obrigada aos dois. Apenas um esclarecimento ao comprometido espectador: sou uma portuguesa (alfacinha) a viver no Brasil, na Bahia, mais precisamente na Estrada do Coco, bem perto de Salvador, e não um brasileiro a viver em Portugal.

sb 13:22 #

Piadinha Disney
Pinóquio tinha uma namorada humana que sempre que transavam reclamava de umas farpas. Pinóquio resolveu então pedir ajuda a Gepeto, que lhe sugeriu usar uma lixa fininha para aparar as arestas. Contente, saiu e lá, achando que tinha encontrado a solução ideal. Algumas semanas depois, Gepeto viu Pinóquio andando feliz pela cidade e perguntou: «Como vai a namorada?» Ao que Pinóquio respondeu: «E quem precisa de namorada?»

sb 12:38 #

2 de Junho | Um ano de Bahia
Há um ano na Bahia. E sem poder partilhar a data com vocês. Para além dos problemas na placa do meu computador tenho agora problemas na linha. Na linha telefónica. Os cachorros a descobriram e a roem. Tem muito ruído, logo é muito difícil acessar a Internet. Por isso não tenho ido ao blog. Espero ter o assunto resolvido assim que chegar. Pois para comemorar um ano de Brasil decidi dar um «vorta» por aqui. Neste momento estou em Porto Alegre, mais tarde subo a São Paulo. Por fim, uma volta pelo Rio de Janeiro. No fim do mês vou a Portugal. Matar saudades. Sobretudo dos amigos. Um pouquinho mal organizada essa ida a Lisboa, um pouco mais cedo e apanharia o Rock in Rio. [Uma pequena polémica, os cariocas alegam que deveria chamar-se Rock em Lisboa, Rock in Rio Tejo, porque Rock in Rio lhes pertence. É logomarca do Rio de Janeiro.] E vou perder, perder Peter Gabriel numa esfera de plástico, Bem Harper, Sting (com o velho repertório, já que deste último álbum não gosto nada) etc. Mas talvez assista à final do Euro.
Quanto à Bahia, e ao saldo deste ano, o considero positivo. Bem recebida, bem tratada, acarinhada. Me dou bem com o clima, quente e húmido. E já sinto a diferença entre o Inverno e o Verão, embora a variação seja de apenas 4 a 5 graus. 28/30º no Verão, 24/26º no Inverno. E as chuvas, as tão famosas chuvas tropicais. Gosto do cheiro, das cores, das frutas. Adoro as pessoas, e a maneira fácil de «meter» conversa. O jeito baiano de adiar um compromisso e a facilidade em não cumprir horários. A festa, sempre festa. Festa para tudo. A música, por todo o lado e sempre alta, sempre ao berros. Até para o «parabéns» há pelo menos 4 cantigas distintas. O misticismo, o fantástico até, que aqui se respira. Povo de fé. Todo o mundo tem sua religião. Aqui há lobisomens, santos e santos (católicos e de candomblé), pretos velhos, pombas giras. Exu é o orixá das encruzilhadas, dos caminhos, da rua. É muito fácil encontrá-lo na porta das casas ao lado de uma garrafa de cachaça. Em Novembro, mês de finados, não se deixa a roupa de noite pendurada nos estendais. «Para não a ver andar por aí sozinha». Segunda e Sexta-feira se veste branco. Terça, verde. Quarta, vermelho. Quinta, azul. Sábado e Domingo, todas as cores. Tem a ver com a cor dos Orixás e se conhece o(s) santo(s) de uma pessoa pelas contas que usam ao pescoço (um fio de missangas). Vermelho para Iansã, deusa do Vento e das trovoadas. Amarelo de Oxum, deusa da água doce. Azul claro (nação Angola) para Iemanjá, deusa do mar. Vermelho e preto para Exu, encruzilhadas e rua. Verde para Oxóssi, o caçador. Roxo para Nanã, deusa das lamas. Branco, para Oxalá, o «pai» dos orixás, deus das cabeças, sincretizado com o Senhor do Bonfim. Etc. Um dia destes falo sobre isto. Gosto de quase todas as comidas, embora não me «dê» muito bem com o óleo de dendém. Mocotó, arrumadinho, bobó de camarão, punhetas (bolinho de estudante, parecido com as farturas), quindim, o delicioso pudim de leite, de leite condensado. O queijo catupiry. Ainda não aprendi a gostar de acarajé. Só consigo comer o bolinho, um frito de feijão fradinho; o molho, de camarão seco, não «passa» não. Ao contrário do que pensava aí, também me dou muito bem com a língua, que embora seja o português não é a mesma, não. Delicio-me com o cantar e a maneira clara de abreviar um monte de palavras numa só. Como dizia um amigo meu, nada em como abreviar «máquina de cortar pão em fatias» em «fatiadora de pão». Tal como os nomes que são dados não pelo objecto mas pela marca que primeiro os comercializou, como: isopor para esferovite, combi para carrinha, guaraná para qualquer refrigerante com gás. Quanto ao número de sílabas, fico-me pelas quatro. Já deixei de tentar pronunciar nomes como Pindamonhangaba, Itacoatiara, Perequê-Açu,Votuporanga, Pirassununga, Piracicaba, Jijoca de Jericoacoara, Pontal do Parapanema ou Cumuruxatiba. E o céu, o céu imenso do Sul. Que me parece mais próximo, mais baixo e maior. Quanto a tudo o resto e o que importa, sinto-me bem. Sou feliz. E enquanto me sentir assim por aqui vou ficando. E por aqui me fico.

sb 12:33 #